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06 de dezembro de 2018

Kria lança o primeiro security token do Brasil nos padrões da CVM

O mercado de criptomoedas no Brasil pode vislumbrar um importante avanço em relação à regulação, tendo em vista que a Kria, plataforma de crowdfunding que recebeu um importante investimento no início do ano da exchange FoxBit, anunciou, segundo o jornal Valor Econômico, que a partir desta quinta-feira, 06 de dezembro, lançará a primeira plataforma que permitirá a negociação de um security token (STO) brasileiros, nos padrões da instrução 588, exigidos pela Comissão de Valores Mobiliários, (CVM).

A iniciativa, construída na plataforma do Ethereum, é inédita no Brasil e há muito tempo debatida na comunidade de criptomoedas. Segundo o jornal, na oferta da Kria, os 25 mil títulos de dívida conversíveis em ações preferenciais serão emitidos na forma de tokens (ERC-20). A startup pretende captar R$1,2 milhão na operação.

“Será como averbar ações ou qualquer valor mobiliário em um livro contábil, mas, no caso, de maneira digital”, compara Frederico Rizzo, CEO da Arco, holding controladora da Kria.

Cada token representará – ou terá como lastro – um título de dívida emitido pela Kria. A grande novidade do STO é que será o primeiro projeto que envolve tokenização de ativos com base em blockchain e criptomoedas a ser lançado no Brasil. Para isso, a Arco criou uma nova empresa, a Basement, que funcionará como uma central de operações para ativos tokenizados. “O Basement vai fazer toda a adequação regulatória da oferta e também controlar as negociações e transferências dos tokens”, explica Rizzo, que faz questão de salientar que a proposta é um STO e não uma ICO.

“Citando um exemplo prático: um investidor-anjo poderá ir à bolsa da FoxBit para vender a participação que ele tem em uma determinada empresa, independente da fase em que se encontra aquela startup. O preço claro, segue a dinâmica do mercado e a lei da oferta e da demanda [embora a CVM tenha algumas regras sobre este caso]. A criação do mercado secundário para negociar participação nas startups injeta liquidez ao capital do investidor, que não fica atrelado ao negócio até a próxima rodada de investimento ou até a empresa monetizar, o que pode levar muito tempo”, disse João Canhada, um dos sócios da FoxBit.

De olho nos reguladores, o CEO da Arco destaca que, como os investidores e as empresas envolvidas nas operações estruturadas pela Kria terão de se registrar no Basement, nenhuma negociação de tokens será anônima. “Mas os usuários não terão acesso às informações dos demais participantes”, explica Rizzo, acrescentando que se uma transferência for feita para uma carteira não registrada, o sistema cancela a operação.

Fonte: Kria lança o primeiro security token do Brasil nos padrões da CVM