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10 de janeiro de 2019

Hard fork do Ethereum: tudo o que você precisa saber

(Foto: Shutterstock)

Ethereum tem ficado entre a segunda e terceira posição entre as criptomoedas com maior capitalização de mercado. Recentemente Ethereum recuperou sua vice-liderança, provavelmente com grande ajuda dos rumores sobre a atualização conhecida como Constantinople que está prevista para ser implementada na semana que vem.

Para um melhor entendimento recomendo a leitura desse artigo que explica em detalhes o funcionamento da Ethereum.

O termo Hard Fork é utilizado em criptomoedas para descrever um evento onde a tecnologia necessita de uma atualização ou modificação grandiosa. Tais alterações visam modificar sua natureza e suas propriedades, que a princípio deveriam ser inalteradas.

Devemos ressaltar que criptomoedas são descentralizadas e mantidas por seus usuários e mineradores ao redor do mundo. Devido a isso cada um que mantém a rede terá que aceitar essas atualizações, caso contrário surgirá uma divisão do protocolo. Onde alguns mineradores se mantêm na versão antiga e outros se mantêm na atualização, gerando assim duas criptomoedas diferentes, mas muito parecidas.

Foi exatamente essa divisão de usuários que acarretou na “criação” da Ethereum Classic, criptomoeda mantida pelos mineradores que optaram por não fazer a modificação da blockchain que ressarcia o valor roubado na DAO. Na época houve um grande conflito, pois antes mesmo da atualização muitas pessoas influentes já deixavam claro que não iriam atualizar o protocolo. Houve uma grande divisão da comunidade.

Constantinople é diferente: não há grandes sinais de represália a respeito de suas modificações, são alterações técnicas de melhoria que todos estão de acordo. Não há indícios de separação dos usuários e da criação de uma nova criptomoeda.

Entretanto sempre é possível esse surgimento, mas se ocorrer será algo irrisório e que provavelmente manterá pouquíssimos mineradores e se tornará inviável. A Ethereum Constantinople será ativada no processamento do bloco 7.080.000 e isto está previsto para datas entre 14 e 18 de janeiro.

Esse Hard Fork irá migrar todo o conteúdo da Blockchain atual para a nova Blockchain atualizada. Isso acarretará em zero de impacto para os usuários e para as aplicações que rodam na rede Ethereum.

Os mineradores que atuam em pools de mineração também não precisam se preocupar, pois tais pools se responsabilizarão pela alteração. Mineradores independentes precisam fazer a atualização do software e nada mais.

As exchanges também farão as atualizações, não há muito com o que se preocupar. Apenas estejam atentos aos golpes. O usuário comum não precisará fazer nada. Fujam de qualquer assunto que os instrua a fazer algum processo com seus valores, pois muito provavelmente será algum golpe.

O intuito da Ethereum é ser uma espécie de dinheiro programável e devemos levar em consideração que essa aplicação é muito mais complexa do que a do Bitcoin. Se o Bitcoin já sofre com problemas de escalabilidade e velocidade, na Ethereum isso é muito mais evidente e impactante.

O problema de escalabilidade é a principal barreira do Ethereum. Para resolver esse problema uma das principais mudanças a serem feitas é a migração do PoW para o PoS. A mudança será implementada com o projeto Casper, um sistema de PoS criado para a Ethereum. Essa mudança precisa ocorrer rápido e presenciamos isso a uns meses atrás, quando a aplicação CryptoKitties congestionou fortemente o sistema da Ethereum. A troca para o PoS irá aumentar cerca de 1000x a escalabilidade da rede, além de melhorar a segurança e outros fatores importantes.

A Ethereum possui um Roadmap que visa estruturar essa atualização grandiosa, pois a ela precisa ser feita por etapas. Há quatro principais etapas na seguinte ordem: Frontier, Homestead, Metropolis e Serenity. Atualmente nos encontramos na etapa “Metropolis” que foi dividida em duas fases, a primeira já ocorreu e é denominada de Byzantium. A segunda como podem ver no próprio título, é chamada de Constantinople.

A função dessa atualização é preparar o terreno para a etapa final e acrescentar algumas melhorias, principalmente em relação a otimização e menos gasto de recursos. Dentre as melhorias podemos ressaltar o menor gasto de gás, podendo reduzir até 10x em algumas atividades.

Outro ponto importante é a otimização de canais, onde algumas transações poderão ser resolvidas fora da rede principal, semelhante a lighting network do Bitcoin. Haverá também um atraso do “ice age”, visando prolongar por mais 12 meses a necessidade da migração do PoW para o PoS. Abaixo detalharei melhor cada uma dessas melhorias.

Essa parte exige um pouco mais de conhecimento sobre a Ethereum, caso ache confuso recomendo novamente a leitura do artigo sobre a criptomoeda. As atualizações da Ethereum são feitas por meio de EIPs que em tradução livre seria: proposta de melhoria Ethereum. O Hard Fork Constantinople receberá 5 dessas melhorias, das quais detalharei mais abaixo.

EIP 145

Todos os computadores e linguagens de programação funcionam por operações matemáticas e com a Ethereum não seria diferente. Entretanto essas operações custam um certo poder computacional e algumas delas realizam trabalhos desnecessários em situações que poderiam ser resolvidas mais facilmente.

Resolver isso é importante pois cada ação consome Gas na Ethereum. Essa melhoria é basicamente uma otimização que acrescenta uma nova “operação” capaz de manipular bits individualmente o que economiza processamento em muitas situações e consequentemente diminui os custos para rodar as aplicações. Essa função vai ser muito benéfica para os desenvolvedores que desejam rodar serviços na plataforma.

Usando as operações aritméticas atuais, se gasta 35 de gás, enquanto as instruções novas farão o consumo reduzir a 3 de gás, 10 vezes menos. Lembrando que nem todas as ações poderão ser simplificadas dessa forma.

EIP 1014

A Ethereum planeja manter um sistema muito semelhante com a Lightning Network do Bitcoin. Basicamente é operar com canais fora da Blockchain, visando diminuir o trafego “desnecessário” na rede principal. As transações são inseridas em grupos na Blockchain com uma frequência menor do que seriam se fossem diretamente inseridas lá. Na Ethereum isso seria mais elaborado pois também seria utilizado nos contratos inteligentes.

Essa melhoria é proposta pelo próprio criador da Ethereum, Vitalik Buterin. Sua utilidade é oferecer uma melhor otimização, maior capacidade e mais segurança na criação desses contratos que se baseiam nesse sistema de canais fora da Blockchain principal.

Basicamente há uma mudança na estrutura dos contratos, garantindo a utilização de endereços ainda não criados que não entrem em conflito com a cadeia principal e que consumam menos recursos além de permitir uma quantidade maior de operações.

EIP 1052

Muitos contratos inteligentes precisam fazer algumas verificações para garantirem a segurança e integridade. Entretanto há contratos enormes e o modelo de verificação atual acaba causando desperdício verificando informações não essenciais.

Esse EIP cria uma nova função de verificação que cria um hash onde é necessária a verificação apenas de alguns bytes essenciais, economizando recursos ao ignorar o conteúdo desnecessário que antes era verificado.

EIP 1234

Essa é uma das principais implementações e a que nos dá segurança do apoio dos mineradores, pois de certa forma é um grande benefício para eles. Tal medida irá “enganar” a rede para ela achar que está em blocos anteriores (mais distantes da era do gelo). Consequentemente a criação de novos blocos vai ser mais rápida, para compensar isso a recompensa de 3 ethers será diminuída para 2. O intuito é atrasar a era do gelo em 12 meses, pois o projeto Casper ainda não está totalmente pronto.

Quando o projeto Casper estiver implementado os mineradores convencionais não serão mais úteis. Para forçar essa migração existe uma espécie de bomba relógio no código da Ethereum. A mineração vai ficando cada vez mais difícil com o passar do tempo e devido o surgimento de novos blocos.

Chegará em um ponto que a mineração praticamente cessará (‘era do gelo’) e não renderá mais lucros. Com esse “freio” que vão implementar o tempo será adiado, dando mais oportunidade para os mineradores lucrarem. Outros “atrasos” como esse já foram feitos. A equipe quer ter certeza que o protocolo PoS esteja utilizável e muito seguro antes de implementa-lo.

EIP 1283

Outra otimização, dessa vez nos recursos de armazenamento que consequentemente irá reduzir o custo do gás. É basicamente um melhor gerenciamento de memória, poupando o gasto com dados repetitivos e se utilizando de outras técnicas para reduzir o armazenamento em determinadas aplicações.

Há pelo menos dois forks “desconhecidos” previstos para datas próximas. Um no dia 11 (Ethereum classic vision) e outro no dia 12 (Ethereum Nowa). Nenhum dos dois é apoiado pela comunidade e há pouco conteúdo a respeito. Um deles possui um site e outro um twitter.

Ambos afirmam que os usuários da Ethereum poderão resgatar suas moedas em seus Forks. Tenham bastante cuidado, pois provavelmente surgirão softwares ou sites de carteiras para que vocês peguem suas quantias e consequentemente roubem seus dados de acesso. Fujam desse assunto, pois mesmo que seja real, as criptomoedas serão inúteis, pois não há nenhuma pista de que mineradores ou a comunidade irão apoiar isso.

Fonte: Hard fork do Ethereum: tudo o que você precisa saber